Entre cinema e educação: a construção da consciência da ditadura civil-militar
Palavras-chave:
Educação, Cinema, Ditadura Civil-Militar, Memória histórica, Políticas PúblicasResumo
Este artigo analisa a relação entre cinema e educação, destacando o potencial pedagógico do audiovisual para a formação crítica, histórica e cidadã dos estudantes. O estudo toma como objeto de investigação o filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), dirigido por Cao Hamburger, que retrata a ditadura civil-militar brasileira (1964–1985) sob a ótica da infância. A narrativa, ambientada em 1970, articula dimensões históricas, afetivas, sociais e culturais, oferecendo uma abordagem sensível e humanizada de um período marcado pela repressão política, pela censura e por graves violações de direitos humanos. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa combina revisão bibliográfica e análise documental, fundamentando-se na pedagogia histórico-crítica e em autores que discutem a interface entre cinema, educação e memória histórica, de modo a reforçar a análise crítica. Os resultados apontam que o cinema, ao mobilizar elementos estéticos, simbólicos e emocionais, amplia a empatia, a capacidade de reflexão e o engajamento dos estudantes, favorecendo a construção de consciência histórica e o fortalecimento de valores democráticos e cidadania cultural. O estudo também discute a relevância da Lei no 13.006/2014, que torna obrigatória a exibição de filmes nacionais nas escolas de educação básica, ressaltando tanto os avanços dessa política pública, ao reconhecer o cinema como recurso formativo, quanto os desafios de sua implementação, como a ausência de infraestrutura adequada, limitações orçamentárias e a carência de formação docente específica. Conclui-se que a efetividade da inserção do cinema na educação básica exige não apenas a existência de marcos legais, mas também políticas educacionais permanentes de valorização docente, investimentos consistentes em infraestrutura escolar e a integração curricular crítica do audiovisual, consolidando-o como instrumento de emancipação cultural, memória coletiva e formação cidadã.