Planificações Curriculares em Música no CEETEPS: reflexões comparadas nos cursos Técnicos em Canto, Regência e Instrumento Musical
Palavras-chave:
Educação musical, Educação profissional e tecnológica, Políticas educacionais, CEETEPSResumo
Este artigo pretende analisar o formato atual de planificação dos currículos de música no ensino técnico das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS), situando-o no campo da Educação Profissional e Tecnológica e na agenda de políticas curriculares orientadas por padrões nacionais e internacionais. Tem como objetivo geral examinar, em perspectiva comparada, os planos de curso dos Técnicos em Canto, Regência e Instrumento Musical, identificando convergências estruturais, as ênfases em itinerários formativos e a aderência aos referenciais como o documento da UNESCO-IBE para a elaboração curricular. O desenho metodológico adotado baseia-se em um estudo qualitativo, com coleta de dados por meio de pesquisa documental analítico-comparativa, a fim de analisar os currículos formais prescritos no CEETEPS, mobilizando fontes institucionais de circulação restrita e dados de oferta relativos ao ano de 2024, quando houve 25 turmas e 343 matrículas de discentes nos cursos referidos. Como resultado, se reconhece a influência e forte correspondência entre a estrutura estabelecida nos standards curriculares sugeridos pela UNESCO-IBE e os documentos curriculares examinados, com pequenos ajustes ao cenário estadual paulista ou em nível local ou regional. Os resultados indicam forte alinhamento entre a arquitetura dos planos e o referencial da UNESCO-IBE — com seções como Introdução, Visão do Currículo, Finalidades/Objetivos, Competências, Metodologia, Avaliação — e uma adaptação ainda limitada às especificidades do contexto paulista e aos nichos do mercado musical local. A comparação dos perfis profissionais e das relações entre competências, habilidades e bases tecnológicas evidencia três focos: performance e produção audiovisual (Canto), direção musical e gestão cultural (Regência) e execução instrumental e colaboração artística (Instrumento), todos articulados às competências técnico-artísticas, de empreendedorismo e de uso de tecnologias. Sustenta-se, ao final, que a estrutura curricular privilegia a formação por competências relevantes à inserção no setor cultural e criativo, mas a baixa capilaridade da oferta - concentrada em poucas Etecs - e a necessidade de atualização/adequação local permanecem como desafios.